Muito além do frio: o impacto do expossoma no envelhecimento cutâneo durante o inverno

A saúde da pele é resultado de uma interação complexa entre fatores genéticos e ambientais. Embora o envelhecimento cronológico seja inevitável, estima-se que uma parcela significativa das alterações visíveis esteja relacionada à exposição contínua a fatores externos ao longo da vida. A partir deste contexto, surge o conceito de expossoma, definido como o conjunto de exposições ambientais e comportamentais acumuladas desde a concepção até o envelhecimento, capazes de influenciar processos biológicos e a saúde como um todo.

No caso do tecido cutâneo, o expossoma engloba elementos como radiação ultravioleta, poluição atmosférica, tabagismo, alimentação inadequada, privação de sono, estresse psicológico, mudanças climáticas e variações de temperatura e umidade. A interação desses fatores pode acelerar processos inflamatórios, aumentar o estresse oxidativo, comprometer a barreira e favorecer a degradação de proteínas estruturais, incluindo colágeno e elastina.

Em nível molecular, muitos dos efeitos do expossoma convergem para o aumento da produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), que ativam vias de sinalização como AP-1 e NF-κB. Essa resposta favorece a expressão de metaloproteinases de matriz (MMP-1, MMP-3 e MMP-9), enzimas envolvidas na degradação do colágeno, ao mesmo tempo em que reduz a síntese de novo colágeno pelos fibroblastos. O resultado é um desequilíbrio progressivo no remodelamento da matriz extracelular, um dos principais mecanismos associados ao envelhecimento cutâneo induzido pelo expossoma.

Expossoma cutâneo: o que é e por que ele mudou a forma de entender o envelhecimento da pele?

O termo expossoma foi proposto pelo epidemiologista Christopher Wild em 2005 para complementar as informações fornecidas pela genética, considerando todas as exposições ambientais que influenciam a saúde ao longo da vida. Desde então, o conceito foi incorporado à dermatologia para explicar por que indivíduos com características genéticas semelhantes podem apresentar padrões muito distintos de envelhecimento cutâneo.

Atualmente, sabe-se que o envelhecimento da pele resulta da combinação entre fatores intrínsecos e extrínsecos. Enquanto o envelhecimento intrínseco está relacionado ao processo biológico natural, o envelhecimento extrínseco é fortemente influenciado pelo expossoma.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 99% da população mundial respira ar com níveis de poluição acima dos limites considerados seguros, evidenciando a magnitude da exposição ambiental a agentes potencialmente prejudiciais à saúde humana. Entre os principais poluentes monitorados estão o material particulado fino (PM2,5) e o dióxido de nitrogênio (NO₂), ambos associados ao aumento do estresse oxidativo e de processos inflamatórios sistêmicos.

Estudos sugerem que os fatores ambientais podem ser responsáveis em média por 80% dos sinais visíveis do envelhecimento facial, incluindo rugas, flacidez, alterações de textura e hiperpigmentação.  

Durante muitos anos, acreditou-se que o envelhecimento extrínseco da pele ocorria principalmente a partir de danos causados na epiderme, a camada mais superficial da pele. Nesse modelo, os fatores ambientais, provocariam respostas biológicas locais que, posteriormente, afetariam estruturas mais profundas. Um exemplo clássico desse mecanismo foi descrito por Fisher e colaboradores, citado na revisão de Krutmann et al. (2021) que observaram que a exposição à radiação UVB induz queratinócitos a produzirem mediadores inflamatórios e metaloproteinases de matriz (MMPs), além de estimular a produção dessas enzimas por fibroblastos dérmicos, favorecendo a  degradação das fibras de colágeno, contribuindo para a formação de rugas e para a perda de firmeza.

Entretanto, esse modelo não explica completamente por que o envelhecimento cutâneo é um processo progressivo e cumulativo ao longo da vida. Diferentemente da derme, a epiderme possui alta capacidade de renovação celular, o que permite reparar grande parte dos danos transitórios causados pelas agressões ambientais. Dessa forma, pesquisadores passaram a investigar mecanismos mais profundos e duradouros envolvidos no envelhecimento da pele. Atualmente, evidencias demonstram que o envelhecimento extrínseco esteja relacionado ao acúmulo gradual de danos moleculares persistentes, especialmente em tecidos com menor capacidade regenerativa.

Expossoma, inverno e pele: quando o ambiente acelera os sinais do envelhecimento

Durante o inverno, esse conceito ganha ainda mais relevância. A estação reúne diferentes fatores capazes de intensificar o impacto do expossoma sobre a pele, como baixa umidade relativa do ar, vento frio, choque térmico entre ambientes externos e aquecidos, banhos mais quentes, redução da ingestão hídrica e, em algumas regiões urbanas, aumento da concentração de poluentes atmosféricos. Por isso, o inverno pode ser compreendido como um acelerador sazonal do expossoma cutâneo.

Essas condições favorecem o aumento da perda transepidérmica de água, comprometem a função de barreira da pele e contribuem para um microambiente mais suscetível à inflamação. Um estudo clínico conduzido na Coreia (2023) demonstrou que apenas seis horas de exposição a um ambiente interno aquecido e com baixa umidade, típico do inverno, foram suficientes para alterar parâmetros cutâneos em mulheres, incluindo aumento de rugas, vermelhidão, rugosidade, tamanho aparente dos poros e perda de função barreira.

Embora a epiderme seja a primeira estrutura exposta ao ambiente, grande parte das alterações permanentes do envelhecimento ocorre na matriz extracelular dérmica. Esse microambiente tridimensional, composto principalmente por colágenos, elastina, proteoglicanos e glicoproteínas, é responsável por fornecer sustentação mecânica, organização celular e sinalização bioquímica. A exposição repetida aos componentes do expossoma favorece um desequilíbrio entre síntese e degradação dessa matriz, comprometendo progressivamente a arquitetura do tecido.

Durante muitos anos, o envelhecimento cutâneo induzido por fatores ambientais foi interpretado principalmente como uma consequência de alterações na epiderme, camada diretamente exposta à radiação ultravioleta e aos demais componentes do expossoma. Embora essa visão tenha contribuído para compreender diversos mecanismos do fotoenvelhecimento, evidências mais recentes demonstram que os danos mais persistentes ocorrem na matriz extracelular da derme, um tecido com capacidade de renovação significativamente menor.

A matriz extracelular é composta por uma rede altamente organizada de colágenos, elastina, proteoglicanos e glicoproteínas que fornece suporte estrutural, resistência mecânica e sinais bioquímicos essenciais para o funcionamento das células. Entre essas células, os fibroblastos exercem papel central na manutenção do tecido, regulando continuamente a síntese, a organização e o remodelamento dos componentes da matriz.

Entretanto, a exposição crônica aos fatores do expossoma favorece o acúmulo de danos estruturais nessa matriz. A fragmentação das fibras de colágeno, associada ao aumento da atividade de metaloproteinases e à redução da síntese de novo colágeno, modifica o microambiente em que os fibroblastos estão inseridos. Como essas células respondem continuamente aos estímulos mecânicos e bioquímicos da matriz ao seu redor, uma matriz degradada compromete sua capacidade funcional, reduzindo ainda mais a produção de componentes estruturais.

Esse processo estabelece um ciclo de retroalimentação: quanto mais fragmentada se torna a matriz extracelular, menor é a capacidade dos fibroblastos de restaurá-la adequadamente. Como consequência, intensificam-se a degradação do colágeno, a desorganização das fibras e a perda progressiva da integridade do tecido conjuntivo. Essa mudança de paradigma amplia a compreensão do envelhecimento cutâneo, que deixa de ser interpretado apenas como um dano superficial e passa a ser reconhecido como um processo de remodelamento progressivo da matriz extracelular, fortemente influenciado pelo expossoma ao longo da vida.

Essa discussão científica se corrobora também com uma mudança importante no mercado de beleza, nutrição e longevidade. Cada vez mais, o foco deixa de ser apenas “anti-aging” e passa a se aproximar dos conceitos de “healthy aging” e “well-aging”, com ênfase na prevenção, na manutenção da funcionalidade dos tecidos e na proteção contra agressões ambientais acumuladas. Sendo assim, estratégias nutricionais voltadas à preservação da matriz dérmica, incluindo o uso de peptídeos bioativos de colágeno, ganham espaço como parte de uma abordagem integrada para o cuidado da pele de dentro para fora.

Como minimizar os impactos do expossoma sobre a pele?

Embora não seja possível eliminar completamente a exposição aos fatores ambientais, é possível adotar estratégias capazes de fortalecer os mecanismos de defesa da pele e reduzir os efeitos cumulativos do expossoma ao longo do tempo. Atualmente, especialistas defendem uma abordagem integrada, que combine cuidados tópicos, hábitos de vida saudáveis e suporte nutricional para promover a saúde cutânea e preservar a integridade da matriz extracelular.  

Dados da consultoria Grand View Research indicam que o mercado global de produtos antiaging foi estimado em US$ 55,7 bilhões em 2025 e deve atingir US$ 107,6 bilhões até 2033, com crescimento anual composto (CAGR) de 8,9%. Segundo essa consultoria, o crescimento está cada vez mais associado a uma abordagem preventiva dos cuidados com a pele, com consumidores buscando estratégias voltadas à preservação da saúde cutânea, reparação da barreira da pele e manutenção do colágeno.

Na prática do skincare, a manutenção da barreira cutânea assume papel fundamental, especialmente durante o inverno. O uso de produtos hidratantes, ativos umectantes e ingredientes capazes de reforçar os lipídios da pele pode auxiliar na redução da perda transepidérmica de água e na proteção contra as agressões ambientais. Reforça-se ainda, que a fotoproteção diária continua sendo uma das medidas mais importantes para prevenir danos induzidos pela radiação ultravioleta, um dos principais componentes do expossoma cutâneo.

Um estudo feito por Yang et al. (2026) propõe que o melasma é um exemplo clássico de como diferentes componentes do expossoma atuam de forma simultânea sobre a pele. Em vez de analisar fatores isolados, como radiação UV ou hormônios, a revisão mostra que fatores endógenos (estresse oxidativo, hormônios, estresse psicológico, vitamina D) e exógenos (radiação solar, luz visível, poluição, hábitos alimentares, skincare e clima) convergem para as mesmas vias biológicas, promovendo alterações cutâneas persistentes.

Nesse contexto, a suplementação com peptídeos bioativos de colágeno surge como uma estratégia complementar de interesse. Diferentemente da simples oferta de aminoácidos, os peptídeos específicos derivados do colágeno podem atuar como moléculas sinalizadoras, participando da comunicação celular e contribuindo para a manutenção da matriz dérmica. Assim, quando associada a hábitos saudáveis, proteção solar e cuidados tópicos adequados, a suplementação de peptídeos de colágeno pode integrar uma abordagem mais ampla de proteção da pele frente aos desafios impostos pelo expossoma ao longo da vida.

Os oligopeptídeos de colágeno representam uma evolução dentro da suplementação voltada à saúde da pele, especialmente quando produzidos a partir de processos controlados que asseguram perfil peptídico definido, rastreabilidade e padronização entre lotes. Essas características são particularmente importantes para profissionais que buscam previsibilidade nos resultados e confiança na recomendação de ingredientes science-based.

A Genu-in® representa uma nova geração de peptídeos de colágeno, desenvolvida a partir da tecnologia exclusiva PEPTIDE PROFILE TAILORING™, que combina hidrólise enzimática direcionada e análise proteômica avançada para identificar, caracterizar e padronizar as sequências peptídicas presentes no produto. Com uma cadeia produtiva rigorosamente controlada, desde a seleção da matéria-prima até os processos de hidrólise e padronização dos peptídeos, o seu portfólio foi desenvolvido para assegurar elevada padronização, rastreabilidade e consistência entre lotes.. Esse controle permite a entrega de oligopeptídeos de colágeno com características reprodutíveis, aspecto essencial para a sustentação dos estudos científicos e para a confiabilidade das aplicações clínicas.

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Fontes

-Krutmann J, Schikowski T, Morita A.Environmentally-Induced (Extrinsic) Skin Aging: Exposomal Factors and Underlying Mechanisms. Journal of Investigative Dermatology, 2021; 141, 1096-1103

-GRAND VIEW RESEARCH. Anti-Aging Products Market Size, Share & Trends Analysis Report. San Francisco: Grand View Research, 2026. Mercado global estimado em US$ 55,66 bilhões em 2025, com projeção de atingir US$ 107,61 bilhões até 2033.

-WORLD HEALTH ORGANIZATION. New WHO air quality database highlights how air pollution affects almost all of the global population. Geneva: WHO, 2022. Disponível em comunicado oficial reproduzido pela OPAS.

-Park EH, Jo DJ, Jeon HW, Na SJ. Effects of winter indoor environment on the skin: Unveiling skin condition changes in Korea. Skin Res Technol. 2023 Jun;29(6):e13397. doi: 10.1111/srt.13397. PMID: 37357654; PMCID: PMC10264749.

-Pat Y, Ogulur I, Yazici D, Mitamura Y, Cevhertas L, Küçükkase OC, Mesisser SS, Akdis M, Nadeau K, Akdis CA. Efeito do expossoma humano alterado na pele e na integridade da barreira epitelial mucosa. Barreiras de tecido. 2 de outubro de 2023; 11(4):2133877. doi: 10.1080/21688370.2022.2133877. Publicado em formato eletrônico de 2022, 19 de outubro. PMID: 36262078; PMCID: PMC10606824.

-Yang W, Meng X, Liu T, Chen N, Li D, Xu Y. The Exposome in Melasma: A Comprehensive Review of Etiology, Mechanisms, and Implications for Management. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2026 Mar 27;19:594944. doi: 10.2147/CCID.S594944. PMID: 41930363; PMCID: PMC13039659.

-Dierckx S, Patrizi M, Merino M, González S, Mullor JL, Nergiz-Unal R. Peptídeos de colágeno afetam a síntese de colágeno e a expressão de genes de colágeno, elastina e versicanos em fibroblastos dérmicos humanos cultivados. Front Med (Lausanne). 1º de maio de 2024;11:1397517. doi: 10.3389/fmed.2024.1397517. PMID: 38751975; PMCID: PMC11094247.

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August 26, 2026
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