
Do suplemento em pó às gummies comestíveis, dos sachês às bebidas prontas: novos formatos ampliam as possibilidades de consumo de peptídeos de colágeno atualmente e podem facilitar a adesão dentro da prescrição nutricional.
Durante anos, falar em suplementação de colágeno significava quase automaticamente pensar em um pote, uma colher-medida e um pó diluído em água. Esse formato continua relevante, mas já divide espaço com uma nova geração de produtos: gummies, shots, bebidas prontas para consumo, sachês individuais e alimentos fortificados vêm aproximando a suplementação de momentos que já fazem parte da rotina alimentar.
Esse movimento acompanha uma transformação mais ampla no comportamento do consumidor. Em uma pesquisa brasileira (Campos; Pereira; Cazarin, 2023) sobre consumo de colágeno com 275 participantes — majoritariamente mulheres e residentes da região Sudeste —, o pó ainda apareceu como a apresentação mais utilizada, citado por 52,7% dos participantes. Ao mesmo tempo, o próprio estudo destaca a diversificação das apresentações comerciais disponíveis, incluindo cápsulas, comprimidos e gummies.
Essa transição vai além do universo do colágeno. A pesquisa Future of Wellness 2025, da McKinsey, realizada com mais de 9 mil consumidores, identificou a expansão da chamada nutrição funcional — alimentos e bebidas utilizados não apenas pelo seu valor nutricional convencional, mas também pela busca de benefícios específicos. Nos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, aproximadamente metade dos consumidores havia adquirido produtos dessa categoria no ano anterior; entre geração Z e millennials, a proporção chegou a cerca de dois terços.
Outra pesquisa global, conduzida pela Tetra Pak (2025) em parceria com a Ipsos em 17 países e com mais de 25 mil consumidores, encontrou 59% de interesse em formatos líquidos de suplementos e produtos nutricionais entre consumidores preocupados com a saúde. Os fatores como praticidade, ausência de preparo e possibilidade de consumo em qualquer lugar apareceram entre os mais associados a esse interesse.
A diversificação das apresentações de suplementos de colágeno amplia as possibilidades de uso na prática clínica, com opções como gummies, shots, sachês, bebidas prontas para consumo e alimentos fortificados. Esses formatos podem favorecer aspectos como praticidade, aceitabilidade e adesão ao plano nutricional, especialmente quando estão alinhados à rotina e às preferências do paciente.
No entanto, a apresentação do produto, isoladamente, não é um marcador de eficácia.
Até o momento, não há evidências que permitam estabelecer uma superioridade generalizável entre pó, gummies, shots ou bebidas prontas contendo peptídeos de colágeno. A avaliação clínica deve considerar contextos relacionados ao ingrediente e à formulação, como dose utilizada nos estudos clínicos, caracterização do perfil peptídico, qualidade e padronização do ingrediente, evidência clínica e estabilidade na matriz em que os peptídeos estão inseridos.
Para o prescritor, portanto, a análise deve ir além do formato comercial.
1. A dose fornecida é compatível com a evidência disponível?
Um dos primeiros critérios de avaliação é verificar a quantidade de peptídeos de colágeno fornecida na porção recomendada e sua correspondência com as doses investigadas nos estudos que sustentam aquele ingrediente ou aplicação.
Ensaios clínicos utilizam doses específicas de acordo com o ingrediente avaliado, a população estudada e o desfecho investigado. Em um ensaio clínico com peptídeos específicos de colágeno bovino, realizado em adultos com osteoartrite de joelho, foram avaliadas doses diárias de 2,5 g, 5 g e 10 g durante 90 dias, com análise de desfechos relacionados à dor, função articular, qualidade de vida e biomarcadores. O estudo reforça que diferentes doses devem ser interpretadas de acordo com o ingrediente, a população e o objetivo clínico investigado (Devasia et al., 2024).
Esses valores, entretanto, não devem ser extrapolados para qualquer colágeno ou para diferentes objetivos clínicos. Dose e evidência precisam ser interpretadas de forma conjunta e específica para o ingrediente estudado.
Esse cuidado torna-se particularmente relevante em apresentações com menor volume ou capacidade de incorporação de ativos, como gummies, shots e determinados alimentos fortificados. Nesses casos, é importante verificar se a porção indicada entrega efetivamente a quantidade de peptídeos correspondente à estratégia nutricional proposta.
2. Como os peptídeos de colágeno utilizados são caracterizados?
“Colágeno hidrolisado” representa uma categoria ampla de ingredientes, pois passa por um processo de hidrólise que gera misturas complexas de peptídeos que podem apresentar diferentes tamanhos e sequências.
Virgilio et al. (2024) destacam que o peso molecular médio representa uma medida da massa molecular média dos peptídeos presentes no hidrolisado, mas não determina sua identidade. Peptídeos de peso molecular semelhante podem apresentar sequências de aminoácidos distintas e, consequentemente, não devem ser considerados automaticamente equivalentes.
No estudo clínico, hidrolisados bovinos com peso molecular médio de aproximadamente 2.000 e 5.000 Da apresentaram perfis de absorção altamente comparáveis para diversos peptídeos avaliados, reforçando que o peso molecular, quando analisado isoladamente, não é suficiente para caracterizar o perfil peptídico nem predizer, por si só, o comportamento de absorção do ingrediente.
Para o prescritor, a avaliação pode incluir processo de hidrólise, caracterização do perfil peptídico, composição, padronização entre lotes, rastreabilidade e evidências associadas ao ingrediente específico.
Quando peptídeos bioativos e hidrolisados proteicos, de forma geral, são incorporados a gummies, bebidas, barras ou alimentos fortificados, a matriz da formulação passa a ser uma variável relevante no desenvolvimento do produto (Rivero-Pino. 2023; Ashaolu; Suttikhana, 2023).
A literatura que avalia peptídeos proteicos em diferentes sistemas alimentares mostra que fatores como composição da matriz, condições de processamento e armazenamento devem ser considerados na avaliação de sua estabilidade e funcionalidade. Além disso, a interação com outros componentes da formulação pode influenciar o comportamento desses peptídeos dentro do produto final (Rivero-Pino. 2023; Ashaolu; Suttikhana, 2023).
Na prática, não basta que a formulação contenha a dose prevista no momento da fabricação: é importante avaliar a estabilidade do ingrediente nas condições de processamento e armazenamento e ao longo da vida útil do produto.
É importante destacar que essas evidências abrangem peptídeos bioativos de diferentes fontes proteicas, e não exclusivamente peptídeos de colágeno. Ainda assim, elas reforçam um princípio relevante para o desenvolvimento de formulações: a incorporação de um ingrediente peptídico em uma nova matriz exige conhecer suas características e avaliar seu desempenho nas condições específicas de uso (Rivero-Pino. 2023; Ashaolu; Suttikhana, 2023).
Os peptídeos de colágeno Genu-in® utilizam a tecnologia Peptide Profile Tailoring™, que associa hidrólise enzimática à caracterização do perfil peptídico, permitindo maior controle sobre a composição do ingrediente e sua consistência entre diferentes lotes. Esse nível de padronização é importante para aplicações em diferentes formatos, porque permite que o formulador produza a partir de um ingrediente com características previamente conhecidas e controladas.
Além do controle do perfil peptídico, Genu-in® Life, Genu-in® Life Skin e Genu-in® Skin apresentam perfil organoléptico neutro e controle de qualidade lote a lote, características que ampliam as possibilidades de incorporação em diferentes preparações sem comprometer significativamente sabor e aroma.
A expansão de gummies, shots, bebidas funcionais, sachês e alimentos fortificados mostra que a suplementação está se tornando cada vez mais integrada à rotina. Para o prescritor, porém, essa diversidade amplia também a necessidade de um olhar mais criterioso sobre o ingrediente, a formulação e a evidência que sustentam cada escolha.
Conveniência pode favorecer adesão, novas matrizes podem ampliar possibilidades de uso, sobretudo, na prática clínica, o valor de uma formulação continua dependente de fatores como dose, caracterização do perfil peptídico, padronização, estabilidade e respaldo científico.
À medida que a suplementação evolui para formatos mais diversos e integrados à alimentação, cresce também a necessidade de escolhas cada vez mais precisas e atentas ao dia a dia os pacientes. É nessa convergência entre ciência, tecnologia e aplicabilidade que os peptídeos de colágeno podem ocupar novos espaços na rotina, sem perder de vista aquilo que permanece essencial: qualidade, padronização e consistência do ingrediente utilizado.
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Fontes:
-Campos LD, Pereira ATSA, Cazarin CBB. The collagen market and knowledge, attitudes, and practices of Brazilian consumers regarding collagen ingestion. Food Research International. 2023;170:112951. doi: 10.1016/j.foodres.2023.112951.
-Pione A, Medalsy J, Weaver K, Callaghan S, Rickert S, Doner H, Dahm JM. The $2 trillion global wellness market gets a millennial and Gen Z glow-up. McKinsey & Company. 2025 May 29. [Internet]. Disponível em: McKinsey — Future of Wellness 2025. A pesquisa incluiu mais de 9.000 consumidores na China, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos.
-Tetra Pak. Food Supplement and Nutrition Global Consumer Research. Pesquisa conduzida pela Ipsos em julho de 2025 com 25.547 consumidores preocupados com a saúde em 17 países. Lausanne: Tetra Pak; 2025. Dados divulgados em: Natural ingredients, emotional drivers and local tastes: key factors reshaping the global nutrition market. 2025 Oct 15.
-Devasia S, Joseph JT, Stephena PS, Koizumi S, Clarke L, Sriraam VT, Kailas AP, Madhavan S. Management and Amelioration of Knee Joint Osteoarthritis in Adults Using a Novel High-Functional Bovine Collagen Peptide as a Nutritional Therapy: A Double-Blind, Prospective, Multicentric, Randomized, Active and Placebo Controlled, Five-Arm, Clinical Study to Evaluate the Efficacy, Safety, and Tolerability. Cartilage. 2024;15(4):363-374. doi: 10.1177/19476035231221211.
-Virgilio N, Schön C, Mödinger Y, van der Steen B, Vleminckx S, van Holthoon FL, Kleinnijenhuis AJ, Silva CIF, Prawitt J. Absorption of bioactive peptides following collagen hydrolysate intake: a randomized, double-blind crossover study in healthy individuals. Front Nutr. 2024 Aug 1;11:1416643. doi: 10.3389/fnut.2024.1416643. PMID: 39149544; PMCID: PMC11325589.
-Rivero-Pino F. Bioactive food-derived peptides for functional nutrition: Effect of fortification, processing and storage on peptide stability and bioactivity within food matrices. Food Chemistry. 2023;406:135046. doi: 10.1016/j.foodchem.2022.135046.
-Ashaolu TJ, Le TD, Suttikhana I. Stability and bioactivity of peptides in food matrices based on processing conditions. Food Research International. 2023;168:112786. doi: 10.1016/j.foodres.2023.112786.


