Envelhecimento celular e colágeno: o que acontece com os fibroblastos?

Em algum momento da prática clínica, o nutricionista pode se deparar com uma pergunta aparentemente simples: se o organismo continua recebendo proteínas e nutrientes, por que a produção de colágeno tende a diminuir com o passar dos anos?

A resposta não está apenas na matéria-prima disponível. Ela também envolve o comportamento das células que comandam a construção e a renovação dos tecidos.

Os fibroblastos, principais responsáveis pela produção de colágeno na pele e em outros tecidos conjuntivos, não permanecem biologicamente iguais durante toda a vida. Com o envelhecimento e a exposição acumulada a fatores como radiação ultravioleta, estresse oxidativo, inflamação e alterações metabólicas, essas células podem se tornar menos ativas, menos responsivas e menos eficientes (Dierckx et al., 2024).

Dizer que elas “cansam” é uma simplificação, mas ajuda a traduzir um processo real: o fibroblasto pode continuar presente no tecido e, ainda assim, produzir menos colágeno, responder de forma reduzida aos estímulos e participar de um ambiente que favorece mais degradação do que renovação (Dierckx et al., 2024).

Essa perspectiva é importante porque mostra que o envelhecimento estrutural não depende somente da quantidade de proteína ingerida na alimentação ou na suplementação. Ele resulta da interação entre disponibilidade de nutrientes, sinalização celular, integridade da matriz extracelular e capacidade funcional dos fibroblastos.

As células que produzem colágeno realmente “cansam”?

Os fibroblastos não interrompem a produção de colágeno de uma hora para outra. O que ocorre é uma mudança gradual em seu funcionamento, influenciada tanto pelo envelhecimento cronológico quanto pela exposição acumulada a fatores como radiação ultravioleta, estresse oxidativo, inflamação e alterações no próprio ambiente que envolve essas células (Dierckx et al., 2024).

Parte dos fibroblastos pode entrar em senescência celular, um estado no qual a célula permanece metabolicamente ativa, mas perde a capacidade de se dividir e passa a desempenhar suas funções de forma diferente. Portanto, ela não está exatamente inativa: continua presente no tecido, porém já não contribui para sua renovação da mesma forma (Morakul et al., 2024).

Essa mudança também afeta a comunicação com o ambiente ao redor. Os fibroblastos senescentes podem liberar citocinas, mediadores inflamatórios e enzimas conhecidas como metaloproteinases de matriz, ou MMPs. Em conjunto, essas substâncias compõem o fenótipo secretor associado à senescência, conhecido pela sigla SASP, e podem favorecer a degradação do colágeno e de outros componentes da matriz extracelular (Morakul et al., 2024).

Ao mesmo tempo, a sinalização envolvida na síntese de novas fibras também pode se tornar menos eficiente. Vias como a do TGF-β, importante para estimular a produção de colágeno, apresentam alterações com o envelhecimento. O resultado é um tecido no qual a formação de novos componentes tende a diminuir enquanto sua degradação ganha espaço (Morakul et al., 2024).

Existe ainda um detalhe importante: o fibroblasto não trabalha sozinho. Para produzir e organizar adequadamente o colágeno, ele precisa estar conectado a uma matriz extracelular íntegra e receber estímulos mecânicos desse ambiente. Quando as fibras de colágeno se tornam fragmentadas, a célula perde parte dessa sustentação, modifica seu formato e reduz sua capacidade de gerar novas proteínas estruturais (Morakul et al., 2024).

Assim, forma-se um ciclo que pode se retroalimentar: a matriz perde organização, o fibroblasto recebe menos estímulos funcionais, produz menos colágeno e libera mais enzimas degradadoras, contribuindo para uma fragmentação ainda maior da estrutura ao redor (Morakul et al., 2024).

É possível favorecer a atividade dos fibroblastos?

Favorecer um ambiente no qual essas células encontrem substratos e sinais adequados para participar da renovação da matriz extracelular é o caminho para amenizar os efeitos do envelhecimento nos fibroblastos.

Além da ingestão suficiente de proteínas, esse cuidado envolve a disponibilidade de aminoácidos e micronutrientes, a proteção contra a exposição solar excessiva e a atenção a condições associadas ao estresse oxidativo e à inflamação persistente relacionadas ao estilo de vida inadequado.

Os peptídeos de colágeno vêm sendo estudados não apenas como fonte de aminoácidos, mas como estruturas potencialmente capazes de participar da sinalização celular. Dependendo de seu perfil molecular, determinados peptídeos podem interagir com fibroblastos e influenciar genes e processos relacionados à produção de componentes da matriz extracelular (Morakul et al., 2024).

Em um estudo publicado em 2024, Dierckx et al. avaliaram diferentes peptídeos de colágeno em fibroblastos dérmicos humanos cultivados. Os peptídeos testados aumentaram a expressão dos genes COL1A1, relacionado ao colágeno tipo I, ELN, associado à elastina, e VCAN, que codifica a versicana, componente envolvido na organização e hidratação da matriz extracelular. Os pesquisadores também observaram aumento da expressão de colágeno nas culturas celulares. Por se tratar de um estudo in vitro, os resultados ajudam a compreender possíveis mecanismos.

O estudo de Morakul  et al. (2024) combinou análises celulares com um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Em fibroblastos dérmicos humanos, peptídeos de colágeno aumentaram a síntese de colágeno e elastina e reduziram a presença marcadores de células identificadas como senescentes. Na etapa clínica, 72 mulheres receberam os peptídeos ou placebo durante oito semanas. O grupo suplementado apresentou melhora da hidratação, elasticidade e densidade da pele em comparação ao placebo, neste estudo apresentado.

Em um ensaio clínico publicado por Wang et al. (2025), 77 mulheres receberam 5 gramas diários de peptídeos bioativos de colágeno ou placebo durante 12 semanas, seguidas por quatro semanas sem suplementação. Foram observadas melhorias na hidratação, na perda de água transepidérmica e na densidade da derme, com parte dos resultados mantida após a interrupção do consumo. Os autores também destacaram que a distribuição do peso molecular dos peptídeos pode influenciar sua absorção e funcionalidade.

Esses estudos indicam que a suplementação pode contribuir para a renovação da matriz extracelular por duas frentes complementares: fornecendo aminoácidos necessários à síntese proteica e oferecendo peptídeos com possível atividade sinalizadora.

Isso não significa “recarregar” um fibroblasto cansado ou reverter completamente sua senescência. A interpretação mais adequada é que determinados peptídeos podem ajudar a criar condições mais favoráveis para a síntese e a organização da matriz, desde que o fibroblasto ainda apresente capacidade de resposta.

O perfil dos peptídeos pode fazer diferença para o fibroblasto

Quando o objetivo é favorecer a renovação da matriz extracelular, não basta considerar apenas a quantidade de colágeno presente no suplemento. O tamanho, a composição e a organização dos peptídeos também influenciam sua digestibilidade, sua absorção e sua possível interação com as células do tecido conjuntivo.

Esse ponto foi investigado em um estudo publicado em 2025, por Zague et al. no Journal of Medicinal Food, que avaliou os oligopeptídeos de colágeno Genu-in® Skin, identificados no trabalho como Col-OP. A pesquisa combinou análises em fibroblastos dérmicos humanos com um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, permitindo observar tanto os mecanismos celulares quanto seus possíveis reflexos na pele.

O ingrediente analisado foi obtido por hidrólise enzimática do colágeno bovino tipo I e apresentou peso molecular médio de aproximadamente 4 kDa. Um diferencial relevante foi a presença de cerca de 40% de peptídeos com peso molecular inferior a 1 kDa, demonstrando uma composição formada por uma proporção expressiva de estruturas peptídicas pequenas (Zague et al., 2025).

O que aconteceu nos fibroblastos?

Nas análises celulares, os oligopeptídeos Genu-in® estimularam diferentes componentes relacionados à formação, à organização e à preservação da matriz extracelular (Zague et al., 2025).

Na maior concentração avaliada, houve aumento de aproximadamente 2 vezes na expressão do procolágeno tipo I e elevação de até 16% na síntese de colágeno tipo I. Também foi observado aumento da expressão de decorina e biglicana, proteoglicanos que participam da organização e da formação adequada das fibras de colágeno (Zague et al., 2025).

Outro resultado importante foi o aumento da produção de TIMP-1, um inibidor das metaloproteinases, acompanhado pela redução de até 20,84% da MMP-1 em fibroblastos expostos à radiação ultravioleta. Como a MMP-1 está diretamente envolvida na fragmentação do colágeno, essa modulação sugere uma atuação não apenas sobre a síntese de novas estruturas, mas também sobre o equilíbrio entre produção e degradação da matriz (Zague et al., 2025).

Os oligopeptídeos ainda aumentaram a produção de ácido hialurônico nas culturas celulares. Isso amplia a compreensão sobre sua atuação: o fibroblasto não foi estimulado apenas a produzir colágeno, mas a participar de uma reorganização mais abrangente do ambiente extracelular (Zague et al., 2025).

E os resultados em humanos?

Na etapa clínica, 85 mulheres entre 45 e 60 anos foram divididas entre a suplementação com 2,5 g diários dos oligopeptídeos de colágeno e o placebo, durante 84 dias (Zague et al., 2025).

A firmeza da pele aumentou progressivamente no grupo suplementado: 3,7% após 28 dias, 9,7% após 56 dias e 12,2% após 84 dias, em comparação ao início do estudo. Os resultados foram significativamente superiores aos do placebo em todos os períodos avaliados (Zague et al., 2025).

A elasticidade também apresentou melhora progressiva, chegando a 8,3% após 84 dias, novamente com resultados superiores aos observados no grupo placebo (Zague et al., 2025).

Essa combinação entre resultados moleculares e clínicos fortalece a relevância do ingrediente estudado. Enquanto os experimentos com fibroblastos ajudam a compreender os mecanismos de ação, o ensaio clínico demonstra que esses efeitos podem se refletir em parâmetros mensuráveis da pele (Zague et al., 2025).

A superioridade está na qualidade do perfil peptídico

A tecnologia Peptide Profile Tailoring™, utilizada pela Genu-in®, combina hidrólise enzimática direcionada e caracterização proteômica para controlar o tamanho, a composição e a presença de sequências peptídicas específicas. Esse processo busca garantir maior consistência entre os lotes e mais previsibilidade para a aplicação nutricional.

Essa padronização é particularmente relevante porque os resultados de um estudo realizado com um ingrediente específico não podem ser automaticamente transferidos para qualquer colágeno hidrolisado. Diferentes processos de hidrólise podem originar perfis peptídicos distintos e, consequentemente, diferentes respostas biológicas.

Assim, a qualidade da Genu-in® está associada a três pilares complementares: controle da origem e do processo produtivo, perfil peptídico caracterizado e evidência obtida com o próprio ingrediente!

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Fontes:

-Dierckx S, Patrizi M, Merino M, González S, Mullor JL, Nergiz-Unal R. Collagen peptides affect collagen synthesis and the expression of collagen, elastin, and versican genes in cultured human dermal fibroblasts. Front Med (Lausanne). 1º de maio de 2024;11:1397517. doi: 10.3389/fmed.2024.1397517. PMID: 38751975; PMCID: PMC11094247.

-Morakul B, Teeranachaideekul V, Wongrakpanich A, Leanpolchareanchai J. The evidence from in vitro primary fibroblasts and a randomized, double-blind, placebo-controlled clinical trial of tuna collagen peptides intake on skin health. J Cosmet Dermatol. Dezembro de 2024; 23(12):4255-4267. doi: 10.1111/jocd.16500. Publicado em 2024 em 29 de jul. PMID: 39075819; PMCID: PMC11626298.

-Wang Y, Zhu W, Luo W, Ma Y, Zhou Y. The Sustained Effects of Bioactive Collagen Peptides on Skin Health: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Clinical Study. J Cosmet Dermatol. 2025 Dec;24(12):e70565. doi: 10.1111/jocd.70565. PMID: 41311286; PMCID: PMC12661388.

-Zague V. et al. Oral Collagen Oligopeptides as a Modulator of Skin Health: A Comprehensive Evaluation of Clinical and Molecular Effects. Journal of Medicinal Food. Publicado on-line em 16 de junho de 2025.

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October 17, 2026
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