O que envelhece primeiro: a pele ou a matriz extracelular?

Quando surgem as primeiras rugas, a pele realmente começou a envelhecer naquele momento? Ou esse processo teve início anos antes, em estruturas invisíveis aos olhos?

Essa é uma pergunta que vem mudando a forma como compreendemos o envelhecimento cutâneo. Durante muito tempo, a atenção esteve voltada para os sinais clínicos como rugas, flacidez, perda de elasticidade e alterações na textura da pele. Hoje, porém, as evidências mostram que essas manifestações representam apenas a consequência final de um processo biológico que começa muito antes de se tornar visível.

Cada vez mais estudos apontam que a resposta pode estar na matriz extracelular (MEC), uma rede dinâmica que sustenta a arquitetura da derme e regula funções essenciais para a manutenção da pele saudável. Antes mesmo do aparecimento das primeiras rugas, alterações na organização do colágeno, na atividade dos fibroblastos e na comunicação entre as células já podem comprometer a capacidade de renovação do tecido (Kular; Basu; Sharma, 2014).

Mais do que um simples "andaime estrutural", a matriz extracelular é como uma rede estrutural e bioquimicamente ativa, capaz de modular processos como proliferação celular, a diferenciação de fibroblastos, a cicatrização, a angiogênese e a renovação contínua dos componentes dérmicos. À medida que envelhecemos ou somos expostos continuamente ao chamado exposoma (radiação ultravioleta, poluição, glicação, tabagismo, estresse, alterações hormonais e inflamação crônica de baixo grau), ocorre um desequilíbrio entre síntese e degradação dos seus componentes, favorecendo a perda da integridade estrutural da pele (Kular; Basu; Sharma, 2014).

Essa mudança de perspectiva transforma uma pergunta clássica da dermatologia e da nutrição estética, afinal, o que envelhece primeiro: a pele ou a matriz extracelular? Compreender essa sequência é fundamental para desenvolver estratégias de prevenção e intervenção cada vez mais precoces e baseadas em mecanismos biológicos.

Sendo assim, cresce o interesse por abordagens nutricionais direcionadas à preservação da matriz extracelular. Entre elas, destacam-se os peptídeos bioativos de colágeno, estudados por sua capacidade de fornecer peptídeos sinalizadores que interagem com os fibroblastos e participam da regulação da síntese da matriz dérmica.  

A matriz extracelular: onde o envelhecimento realmente começa?

Embora o envelhecimento cutâneo seja frequentemente associado às alterações visíveis da pele, as evidências atuais indicam que uma das primeiras estruturas afetadas é a MEC da derme (Quan; Fisher, 2015).

A derme é composta predominantemente por uma matriz extracelular rica em colágeno, responsável por aproximadamente 90% do peso seco do tecido dérmico. Essa matriz é formada por uma rede tridimensional composta por colágeno, elastina, proteoglicanos, glicosaminoglicanos, fibronectina e outras glicoproteínas estruturais. Mais do que conferir sustentação mecânica, a matriz extracelular regula a homeostase tecidual por meio de sinais bioquímicos e biomecânicos que controlam a adesão, migração, proliferação e diferenciação celular, além da remodelação contínua dos tecidos (Quan; Fisher, 2015).

Os fibroblastos, principais células da derme, permanecem em constante interação com essa rede. Quando a matriz está íntegra, essas células mantêm sua atividade biossintética, produzindo continuamente novos componentes estruturais. Entretanto, quando a arquitetura da MEC começa a sofrer fragmentações, esse equilíbrio é perdido (Quan; Fisher, 2015).

Segundo Frantz et al. (2010), um dos eventos iniciais do envelhecimento dérmico é justamente a fragmentação progressiva das fibras de colágeno, que reduz a capacidade de ancoragem mecânica dos fibroblastos. Como consequência, essas células tornam-se menos alongadas, diminuem sua atividade metabólica e passam a sintetizar menos colágeno e outros componentes da matriz (Quan e Fisher, 2015).

Esse processo cria um ciclo de retroalimentação negativo: quanto mais degradada está a matriz extracelular, menor é a capacidade dos fibroblastos de reconstruí-la.

O desequilíbrio entre síntese e degradação acelera o envelhecimento da matriz extracelular

O envelhecimento cronológico e a exposição cumulativa a fatores ambientais, esse equilíbrio torna-se progressivamente desfavorável para a MEC. A capacidade biossintética dos fibroblastos diminui, enquanto a degradação da matriz extracelular é intensificada, comprometendo a arquitetura e a funcionalidade do tecido conjuntivo (Quan; Fisher, 2015).

Diversos fatores contribuem para essa desregulação, entre eles:

  • envelhecimento cronológico;  
  • radiação ultravioleta (fotoenvelhecimento);  
  • poluição atmosférica;  
  • glicação avançada de proteínas (AGEs);  
  • tabagismo;  
  • inflamação crônica de baixo grau (inflammaging);  
  • alterações hormonais, especialmente a redução do estrogênio na menopausa.  

Embora esses fatores atuem por mecanismos distintos, muitos convergem para um mesmo evento biológico: o aumento do estresse oxidativo. O excesso de espécies reativas de oxigênio (ROS) ativa vias de sinalização intracelular, como MAPK, AP-1 e NF-κB, promovendo maior expressão das metaloproteinases da matriz (MMPs), enzimas responsáveis pela degradação do colágeno, da elastina e de outros componentes da MEC. Paralelamente, ocorre inibição da via do TGF-β (Transforming Growth Factor-beta), considerada uma das principais reguladoras da síntese de colágeno pelos fibroblastos, reduzindo a produção de colágeno tipos I e III (Franceschi et al., 2017, Quan T, Fisher. 2015).

Como consequência, instala-se um ciclo de deterioração progressiva: a degradação da matriz compromete o suporte mecânico dos fibroblastos, reduzindo sua capacidade de produzir novos componentes estruturais. Essa perda da interação entre célula e matriz leva à diminuição da síntese de colágeno, elastina e glicosaminoglicanos, agravando ainda mais a desorganização da MEC (Franceschi et al., 2017).

Além disso, estudos demonstram que a inflamação crônica associada ao envelhecimento — conhecida como inflammaging — mantém níveis persistentemente elevados de citocinas pró-inflamatórias, como IL-6, IL-1β e TNF-α, que estimulam continuamente a expressão das MMPs e favorecem a degradação da matriz extracelular (Franceschi et al., 2017; Rittié; Fisher, 2015).

No fotoenvelhecimento, esse processo torna-se ainda mais intenso. A radiação ultravioleta, especialmente a UV-A, penetra profundamente na derme e promove rápida ativação das MMP-1, MMP-3 e MMP-9, responsáveis pela fragmentação das fibras de colágeno.

Em conjunto, esses mecanismos fazem com que a degradação da matriz extracelular supere sua capacidade de renovação. O resultado é uma derme progressivamente menos organizada, menos hidratada, menos resistente mecanicamente e menos eficiente na comunicação entre suas células - alterações que antecedem e sustentam o envelhecimento visível da pele.

Colágeno hidrolisado melhora a pele envelhecida: veja estudos!

Evidências reforçam que a suplementação oral com peptídeos de colágeno de baixo peso molecular pode contribuir para a melhora de parâmetros clínicos relacionados ao fotoenvelhecimento cutâneo. Em estudos conduzidos com mulheres entre 40 e 60 anos, observou-se aumento significativo da hidratação da pele após seis semanas de suplementação, seguido por melhorias na elasticidade e redução da profundidade das rugas após doze semanas de uso contínuo (Kim et al., 2018). Além dos desfechos clínicos, pesquisas experimentais demonstram mecanismos biológicos que ajudam a explicar esses efeitos. Hwang et al. (2020) verificaram que um peptídeo derivado do colágeno humano tipo I foi capaz de estimular a proliferação e a migração de fibroblastos, além de aumentar a síntese de colágeno tipo I e elastina, favorecendo a remodelação da matriz extracelular.  

Complementando esses achados, Jung et al. (2021), mencionado na revisão de Liu et al. (2024) demonstraram que a suplementação oral com colágeno hidrolisado elevou os níveis de ceramidas e de fatores naturais de hidratação no estrato córneo, promovendo melhora da função de barreira cutânea, aumento da hidratação e atenuação dos sinais do fotoenvelhecimento.

Afinal, o que envelhece primeiro: a pele ou a matriz extracelular?

À luz das evidências científicas atuais, a resposta é clara: o envelhecimento da matriz extracelular precede grande parte das alterações visíveis da pele. Antes que rugas, flacidez e perda de elasticidade se tornem perceptíveis, já ocorrem modificações importantes na organização do colágeno, na atividade dos fibroblastos e no equilíbrio entre síntese e degradação dos componentes da matriz. Os sinais clínicos observados na superfície refletem alterações estruturais que começaram muito antes em nível tecidual.

Essa compreensão reforça uma mudança de paradigma na prática clínica: mais do que tratar os efeitos do envelhecimento, torna-se cada vez mais relevante adotar estratégias que contribuam para a manutenção da integridade da matriz extracelular ao longo da vida.

Nesse contexto, os peptídeos bioativos de colágeno representam uma abordagem de interesse crescente, desde que apresentem qualidade, perfil peptídico consistente e respaldo científico. É essa proposta que orienta a tecnologia da Genu-in®, que utiliza o Peptide Profile Tailoring®. Leia mais conteúdos sobre esta tecnologia aqui.

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Fontes

-Kular JK, Basu S, Sharma RI. The extracellular matrix: Structure, composition, age-related differences, tools for analysis and applications for tissue engineering. J Tissue Eng. 2014 Dec 20;5:2041731414557112. doi: 10.1177/2041731414557112. PMID: 25610589; PMCID: PMC4883592.

-Quan T, Fisher GJ. Role of Age-Associated Alterations of the Dermal Extracellular Matrix Microenvironment in Human Skin Aging: A Mini-Review. Gerontology. 2015;61(5):427-34. doi: 10.1159/000371708. Epub 2015 Feb 4. PMID: 25660807; PMCID: PMC4524793.

-Frantz C, Stewart KM, Weaver VM. The extracellular matrix at a glance. J Cell Sci. 2010 Dec 15;123(Pt 24):4195-200. doi: 10.1242/jcs.023820. PMID: 21123617; PMCID: PMC2995612.

-Franceschi C, Garagnani P, Vitale G, Capri M, Salvioli S. Inflammaging and 'Garb-aging'. Trends Endocrinol Metab. 2017 Mar;28(3):199-212. doi: 10.1016/j.tem.2016.09.005. Epub 2016 Oct 24. PMID: 27789101.

-Rittié L, Fisher GJ. Natural and sun-induced aging of human skin. Cold Spring Harb Perspect Med. 2015 Jan 5;5(1):a015370. doi: 10.1101/cshperspect.a015370. PMID: 25561721; PMCID: PMC4292080.

-Hwang SJ, Ha G-H, Seo W-Y, Kim CK, Kim K, Lee SB. Human collagen alpha-2 type I stimulates collagen synthesis, wound healing, and elastin production in normal human dermal fibroblasts (HDFs). BMB Rep. 2020; 53(10): 539-544.

-Liu H, Dong J, Du R, Gao Y, Zhao P. Collagen study advances for photoaging skin. Photodermatol Photoimmunol Photomed. 2024;40:e12931. doi:10.1111/phpp.12931

-Jung K, Kim S-H, Joo K-M, et al. Oral intake of enzymatically decomposed AP collagen peptides improves skin moisture and ceramide and natural moisturizing factor contents in the stratum corneum. Nutrients. 2021; 13(12):4372.

-Kim DU, Chung HC, Choi J, Sakai Y, Lee BY. Oral intake of low-molecular-weight collagen peptide improves hydration, elasticity, and wrinkling in human skin: a randomized, double-blind, placebo-controlled study. Nutrients. 2018;10(7):826. DOI: 10.3390/nu10070826.

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October 17, 2026
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